Dependência química


Olá, sou a Dra Fernanda Castro e como médica psiquiatra em Florinópolis costumo receber em meu consultório muitas pessoas buscando tratamento para dependência química ou mesmo familiares que estão buscando entender melhor o problema de pessoas próximas que estão fazendo uso de substâncias como cigarro, álcool, maconha, cocaína e outras.

Para ajudar a todos a entenderem melhor como é superar a dependência química criei este artigo baseado em diversas pesquisas científicas e também em minha experiência clínica.

O que são as drogas?

Há milênios de anos as drogas são utilizadas pela humanidade. Sua presença revelou-se de múltiplas formas em diferentes sociedades ao longo da história, com uma presença constante. Inúmeros são os motivos da sua utilização pelo homem, como a nutrição física, através de remédios para as suas doenças, para alimentar sonhos ou alcançar o transcendente, influenciar o humor, buscar a paz ou a excitação, enfim, simplesmente para abstrair do mundo que o cerca e o perturba em dado momento da sua existência.

Droga, segundo a definição da Organização Mundial da Saúde (OMS), é qualquer substância não produzida pelo organismo que tem a propriedade de atuar sobre um ou mais de seus sistemas, produzindo alterações em seu funcionamento.

A Dependência Química por sua vez é definida como um conjunto de fenômenos comportamentais, cognitivos e fisiológicos que se desenvolvem após o uso repetido de determinada substância. É instalada a partir do momento em que ocorre um padrão descontrolado desse uso estabelecendo uma relação disfuncional entre a droga e o indivíduo. É entendida como uma doença complexa e grave que envolve aspectos biopsicossociais, pois modifica o modo que o dependente percebe o mundo, as pessoas e a sua relação com a droga.

Quais tipos de drogas existem?

Existem drogas lícitas e ilícitas, as primeiras são as substâncias químicas que não são proibidas por lei e as segundas as proibidas com as devidas punições. Exemplos de drogas lícitas: álcool, cigarro, benzodiazepínicos, opioides. Exemplo de ilícitas: maconha, cocaína, sintéticos, inalantes, alucinógenos, etc. Devendo ser reiterado que apesar de algumas drogas serem lícitas, isso não descarta o potencial de risco das mesmas, pelo contrário ele até aumenta devido a livre oferta.

Uma outra classificação comum das drogas é feita em relação à sua atividade cerebral:

  • Drogas depressoras, que diminuem a atividade mental, exemplo: ansiolíticos (tranquilizantes), álcool, inalantes, narcóticos (morfina, heroína)
  • Drogas estimulantes, que aumentam a atividade mental, como a cafeína, tabaco, anfetamina, cocaína, crack
  • Drogas perturbadoras, chamadas de alucinógenas:  LSD, ecstasy, maconha e seus derivados, cogumelos e outras.

Como é feito o diagnóstico de Dependência Química?

A avaliação inicial visa identificar os sinais e sintomas que caracterizam a dependência obedecendo a confirmação dos seguintes critérios diagnósticos:

  1. A perda do controle do uso da droga – o usuário não consegue interromper ou uma vez que começa a usar não consegue controlar a quantidade
  2. A substituição progressiva de atividades importantes como o lazer ou trabalho pelo uso da droga
  3. A persistência do uso da droga apesar das suas consequências negativas
  4. A presença de fissura, ou, seja, uma vontade incontrolável de usar a droga

O uso problemático pode estar acompanhado de transtornos psiquiátricos como depressão, ansiedade, transtornos psicóticos e de personalidade. Por isso, é sempre aconselhável uma entrevista aprofundada com especialista, pois não há melhora significativa da dependência sem a correta estabilização do transtorno de base.

Como funciona o tratamento?

Os princípios gerais para o tratamento da Dependência Química permeiam uma série de avaliações, são elas:

  • Anamnese ou Entrevista detalhada sobre o padrão de consumo atual e passado
  • Avaliação clínica e psiquiátrica global com exame físico e psíquico
  • História de tratamentos anteriores e seus resultados
  • Histórico familiar
  • Estrutura de rede de apoio, fase motivacional, fatores de risco e proteção e outros

Além disso, há a necessidade de avaliar individualmente a modalidade do tratamento a ser proposto, se em regime ambulatorial, semi-intensivo, também chamada Clínica-dia, ou se em regime fechado de internação, podendo ser domiciliar ou hospitalar. A internação poderá ser dividida em internação voluntária (com a concordância do paciente), involuntária (sem a concordância do paciente, mas com indicação médica ou responsabilização de familiares) e a compulsória (ordem judicial).

É muito importante conhecer o perfil do paciente para melhor elaboração de estratégias de tratamento buscando a integração desses indivíduos à família e sociedade. A recuperação envolve reabilitação, reaprendizagem ou restabelecimento da capacidade de manter um estilo de vida positivo.

O primeiro pasDra Fernanda Castro Dantasso para o tratamento é a conscientização da perda de controle e necessidade de pedir ajuda, considerando haver vontade própria para dar início a recuperação. Um fator de extrema importância ao tratamento é o envolvimento e apoio familiar, criando uma real estrutura de suporte para o paciente. Sendo de igual importância o apoio terapêutico aos familiares, visto que também são vítimas primárias do processo de dependência.

É mandatória a realização da avaliação psiquiátrica criteriosa a fim de averiguar a ocorrência de um quadro de transtorno mental coadjuvante à problemática das drogas. Se houver doença mental de base faz-se necessário o seu tratamento adequado, evitando assim futuras recaídas.

Existem remédios para ajudar no tratamento?

Sim. O tratamento medicamentoso, visa tratar a intoxicação, a síndrome de abstinência ou a síndrome de dependência das substâncias psicoativas. Há uma série de medicações que facilitam o tratamento da dependência química atuando de forma por vezes aversivas, substitutivas ou bloqueadoras dos efeitos das drogas no Sistema Nervoso Central. A terapia farmacológica facilita o processo de readaptação  e desintoxicação com mais facilidade e menores sintomas de abstinência.

Terapias e grupos de auto-ajuda

O tratamento pode ser dividido em não-medicamentoso e medicamentoso. O tratamento não-medicamentoso pode ser feito através de psicoterapia de apoio, terapia familiar, grupos de auto-ajuda (AA, NA, Amor exigente), terapia ocupacional, assistência social e outros.

Suspeito que meu filho está com problemas com drogas, e agora?

Existem alguns sinais que facilitam o reconhecimento de que um filho poderia estar usando drogas como:

  1. Mudança comportamental
  2. Oscilação de humor
  3. Impaciência
  4. Irritabilidade
  5. Nervosismo
  6. Agressividade
  7. Insônia
  8. Sintomas ansiosos e depressivos
  9. Dificuldade em se concentrar
  10. Isolacionismo
  11. Apatia
  12. Atitudes desafiadoras e de oposição.

Se isso ocorrer os pais deverão orientar seus filhos e buscar ajuda profissional imediata.

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